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Vida pós choque – Life after Shock

Infelizmente, o longo tempo sem aparecer por aqui não foi graças à quantidade enorme de trabalho, mas sim pela incapacidade momentânia de poder trabalhar, fotografar, escrever, ler ou fazer qualquer coisa.

Leia este post mais como uma amostra ou desabafo de que o nosso mundo ainda não é evoluído e nem civilizado.

No dia 17/05/13, foi o dia em que eu finalmente apresentei a minha conclusão de curso de uma pós-graduação em Artes Visuais, e assim estaria livre para voltar com força total aos trabalhos e às minhas atividades outdoor.

A apresentação ocorreu pela manhã, fui aprovado e assim estaria livre para voltar à vida normal.

foto 2

Manhã de Apresentação/TCC

No dia anterior, eu havia pegado emprestada uma bicicleta Dahon (aquelas que dobram no meio para ocupar menos espaço) para assim ir novamente ao parque da cidade, curtir um pôr do sol e fazer exercícios. Coisas que gosto muito de fazer para limpar a mente.

foto 1

Asa Sul/Brasilia

foto 3

W3 Sul/Brasilia

Ao retornar para casa de bicicleta, por volta das 18:00h, pedalei por uns 5 minutos na faixa de ciclismo da pista interna do parque.

foto 4

Parque da Cidade/Brasilia

Após isso eu simplesmente via cabeças olhando pra mim e um teto branco atrás delas com uma luz muito forte em que eu não conseguia manter os olhos abertos.

Esse foi, de acordo com familiares, o primeiro momento em que abri os olhos, de maneira um pouco mais consciente, ao estar deitado numa maca no corredor do Hospital de Base em Brasília.

Acordei lá porque horas antes eu tinha sido atropelado por um ciclista que estava à exatos 56km/h (palavras do ciclista), ele estava equipado como um ciclista e eu de bermuda e tênis. Nem eu, e acredito que nem mesmo o ciclista, sabemos exatamente o que aconteceu. Mas de acordo com familiares eu já estava deitado no asfalto deixando uma poça de sangue pela parte de trás da cabeça. O ciclista estava com a perna ralada, um dedo da mão cortado e seu capacete rachado. A ambulância demorou 1 hora para me buscar e me levar ao hospital.

Cerca de 1 hora depois de chegar ao hospital eu já estava com a cabeça costurada, enfaixada, radiografias e tomografias feitas.
Eu fiquei 5 dias, no mesmo local onde abri os olhos pela primeira vez, com uma contusão cerebral em contragolpe, edema cerebral difuso, fratura do mastóide, etc. Resumindo, estava com um tipo de traumatismo craniano.

5 dias depois o médico responsável disse à minha família:  – Se vocês tiverem condições de levá-lo à um hospital particular seria uma boa ideia, afinal, o paciente está estável mas caso ele precise de uma cirurgia de emergência, aqui não poderemos fornecê-la à tempo.

Ainda bem que eu tinha um plano de saúde particular. Minha família não pensou duas vezes e solicitou transferência para um hospital particular. Chegando lá os médicos me colocaram direto na UTI onde fiquei por 10 dias. (Mamãe não teve um aniversário tão legal.)

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Hospital de Base/Brasilia

Após 10 dias de pura alucinação, tomando remédios anti-convulsivantes, chamando por nomes de familiares e amigos na UTI, eu fui melhorando aos poucos e acabei sendo transferido para o um quarto de hospital. Todos estavam extremamente felizes, mas eu ainda parecia um zumbi e ainda tive alucinações com, crianças chinesas, galinhas, porcos e Bob Marley.
Durante esse período eu recebia visitas de familiares e amigos e mensagens de alunos…

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Flores/Alunos

Trabalho na área visual há quase 8 anos e no dia anterior à minha alta do hospital eu estava vendo tudo duplicado. Foi um susto da porra!
Mas com o tempo a visão foi voltando ao normal e eu conseguia finalmente assistir filmes, ler um livro, etc. A etapa seguinte foi a recuperação física que pareceu uma eternidade mas em agosto eu já estava bem melhor.

Depois desta recuperação parcial fui tentar entender o que havia acontecido. Peguei as roupas que estava usando naquele dia e vi que havia sangue no casaco, a corrente que eu usava para prender a bicicleta não estava mais presa ao banco, e por último, o bolso direito de minha bermuda foi puxado com uma força que ficou rasgado. Minha cabeça possuía alguns cortes e fraturas na parte esquerda. Minhas conclusão: O ciclista que estava à 56km/h e só dizia: “- Eu não vi ele!”,  me atropelou por trás pelo lado direito, e minha cabeça foi diretamente pro asfalto. Por isso não lembro, absolutamente, de nada!
Coincidentemente, cerca de uma semana após o acidente, foram colocadas algumas placas de redução de velocidade para os ciclistas. Ou seja, algo já estava acontecendo bastante.

Hoje escrevo sobre isso para dar fim à um trauma que demora à passar.
Estou totalmente recuperado e já voltei à criar, pensar, socializar, escrever, tocar, jogar, amar e rir.

Agradecimentos: Papai, mamãe, irmã e meu amor. Meus tios e tias, meus primos e primas, meus amigos e amigas. João Pedro Jatobá, Norma Rocha Fortes e Eduardo Hoecht.

Devo agradecer à algumas mensagens de força no trabalho também como esta do Alexandre Carlo (Natiruts):

Emails/Alexandre/Thais

Emails/Alexandre/Thais

E como eu não podia deixar de publicar algo depois de muito tempo:

Segue uma foto e o making of do novo projeto deste músico: Quartz.

FotoCapa

FotoCapa

Obrigado por compartilhar!

ENGLISH

Unfortunately , the long time without appearing here was not due to the huge amount of work, but due to the inability to work, photograph, write, read, or do anything .

Read this post more as a sample that our world is still not evolved nor civilized yet .

On 5/17/13 , was the day I finally completed post-graduation degree in Visual Arts, and i would be free to return to work at full strength and to my outdoor activities.

The presentation took place in the morning, I was approved and so would be free to return to normal life.

foto 2

Morning Presentation / TCC

The day before , I took my dad’s bike, Dahon (those that bend in the middle to take up less space) to just go back to the city’s central park , enjoy a sunset and exercise . Things I love to do to clear the mind and relax .

foto 1

Asa Sul / Brasilia

foto 3

W3 South / Brasilia
When i was returning home, around 6pm, I cycled for about 5 minutes in the track cycling inside the park .

foto 4

Park City / Brasilia

After that I just saw heads looking at me and a shinning white ceiling behind them with a strong light that I couldn’t keep my eyes open.

This was, according to family members, the first time I opened my eyes, a bit more aware , while lyied on a stretcher in the hallway of the Base Hospital in Brasilia .

Hours before I woke up there because I had been hit by a cyclist who was the exact 56km / h ( rider’s words ) , it was equipped as a cyclist and I in shorts and sneakers . Neither do I , and I believe that even the rider , do know exactly what happened . But according to family I was lying on the pavement leaving a pool of blood in the back of the head. The rider was with grated leg , a finger cut off and cracked his helmet . The ambulance took 1 hour to pick me up and take me to the hospital.

About 1 hour after arriving at the hospital I was already with my head stitched , bandaged , radiographs and CT scans done .
I stood 5 days , at the same place where I opened my eyes for the first time with a concussion in kickback , diffuse cerebral edema , fracture of the mastoid , etc. . In short , it was a kind of head trauma .

5 days later the responsible doctor told my family : – If you have a position to take him to a private hospital would be a good idea , after all, the patient is stable but if he needs emergency surgery , here we can not provide it in time.

Glad I had a private health insurance . My family did not think twice and requested transfer to a private hospital . Arriving there the doctors put me straight in the intensive treatment unit (we called here as UTI) where I stayed for 10 days. ( Mom’s birthday wasn’t so cool . )

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Hospital / Brasilia

After 10 days of pure hallucination , taking anti-convulsant drugs , calling for names of family and friends at the UTI , I improved gradually and ended up being transferred to a hospital room . Everyone was extremely happy , but I still looked like a zombie and still had hallucinations with Chinese children , chickens , pigs, and Bob Marley .
During this period I received visits from family and friends and posts by students …

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Flowers / Students
I’m in the visual area for almost 10 years and the day before my discharge from hospital I was seeing everything double . It was scare as shit!
But over time the vision was back to normal and I could finally watch movies, read a book , etc. . The next step was the physical recovery that seemed like an eternity but in August I was already much better .

After this partial recovery was trying to understand what had happened . I took the clothes he was wearing that day and saw that there was blood on the jacket , I wore the chain to fasten the bike was no longer attached to the bank, and finally the right pocket of my shorts was pulled with a force that has become torn . My head had a few cuts and fractures on the left . My conclusion : The cyclist who was the only 56km/he said : ” – I have not seen it ! ” Hit me from behind the right side, and my head was directly pro asphalt. So do not remember absolutely anything!

Today I write about it as the end of trauma it takes to pass.
I am fully recovered and have returned to create , think, kissing , socializing , writing, playing , playing , designing and laugh .

Thanks: Dad, Mom , sister and my love . My aunts and uncles , my cousins ​​, my friends and girlfriends . João Pedro Jatoba , Norma and Eduardo Rocha Strong Hoechst .

I have to thank some messages of strength in this work as well as Alexandre Carlo ( Natiruts ) :

Emails/Alexandre/Thais

Emails / Alexandre / Thais

 
And as I could not help but post something after a long time :

Here the picture of the new design of this musician: Quartz .

FotoCapa

AlexandreCarlo

Thanks for sharing !

  1. Ceres Rocha Fortes
    8 de abril de 2014 às 14:38

    Filho, você disse que eu não tive um aniversário muito legal, mas lhe digo que foi neste aniversário que ganhei o melhor presente da minha vida: tê-lo de volta, vivo, curado, saudável e muito amoroso. Só tenho a agradecer por todas as graças recebidas! E vamos tocar pra frente! Usar esta experiência como um grande aprendizado. Quem sabe uma largada pela luta para melhoria dos serviços de saúde e de primeiros socorros prestados no nosso país.
    Beijos de amor,
    Mãe.

  2. Luiz Carlos M. Fernandes
    11 de abril de 2014 às 20:17

    Voltei a me emocionar, aqueles dias foram difíceis… Acho que as vezes, Deus põe a prova os nossos nervos… Mas, ter você ao nosso lado e, plenamente, recuperado, é o quê importa.
    Sucesso bjs e abraços.
    Teu pai

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